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terça-feira, 11 de maio de 2021

estou viva!

Este ainda é o meu lugar - esta necessidade de falar do que importa a todos, mas sem falar, e não a todos -só aos que encontrarem. Não é se secreto; uma vez na internet, na internet para sempre. Mas disto não tenho vergonha; não de sentir assim. 

A minha vida mudou muito e agora tenho:

27 anos;

um IMC de 20,5;

um contrato de trabalho sem termo; 

um namorado de quem gostava de gostar mais; 

uma vida cheia de coisas que os outros também têm e das quais posso falar. 

...

Só a doença se mantém, apesar de ter mudado de forma. Vou viver para a "minha" casa...e levo-a comigo.  

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 Não parece doença. 

Mas se ouso...

Tenho vontade de chorar. 

Sinto uma culpa indescritível. O momento antecipado ha horas é pesadelo acordada. Quero comer tudo comendo nada...

sábado, 20 de junho de 2020

55

Como criança a comer um chocolate às escondidas, sinto-me a cometer uma grande asneira, não consigo parar.

segunda-feira, 16 de março de 2020

um cântico final

Precisava tanto de escrever, necessidade que desapareceu à medida que deixei de me sentir tão absorvida pelo próprio sofrimento. Não que ele tenha desaparecido; tomou outra forma, é leve, conformei-me. Já não tenho uma doença, nem uma doença mascarada de vida; tenho uma vida - diferente - mas minha.

Ainda minto, ainda poupo quando restrinjo e esbanjo quando me descontrolo. Sem meio termo, com mentiras que, provavelmente, serão minhas ainda durante mais tempo, dou passos em frente que já não temo constantemente.

Palavras iguais, sentimentos iguais, vivências - internas - iguais. Sou assim. 
Acordo, vou para o trabalho em jejum. Lá para as duas como um bocado de chocolate. Regresso, no caminho vou aos supermercados, chego a casa e tenho o momento "alto" do dia - como tudo, descomo nem metade, não aumento (muito) de peso.

É isto a doença? Se é, então tenho-a. Se tê-la é sofrer por isso, então curei-me. 

sábado, 14 de dezembro de 2019

Não costumo dar parte fraca - assumir que o que resta da DCA não interfere na minha vida. 
Mas há dias em que já não aguento fingir, em que queria mesmo acordar sem isto...

É sábado à tarde, aproveitei a casa vazia para ir «limpar o quarto» - acabei com um saco do lixo cheio de embalagens, restos, migalhas e pratas. 

Limpei os forros das malas com um pano húmido; a sujidade entranhada que teimava em sair. Pendurei-as a secar. Olhar para elas convoca-me um tristeza que não quero comportar; deixo de olhar; finjo que não existe, que não fui eu, que não é em mim, que já passou e finalmente, que já não me importo que não tenha passado...

Chorei muito enquanto me despachava a encher o saco, é uma repetição extremamente dolorosa. Não poderia faze-lo em frente de alguem - não poderia explicar, sem ter falar na doença. Não poderia fazer isto se partilhasse o quarto, nem a vida, se houvesse crianças. Mas fa-lo-ia...e depois a consequência alastrava, já não era só a mim...

Já não me engano com promesas de que foi a última vez, quebradas, invariavelmente, no dia em que me apanho a repetir...e perco força, credibilidade e vontade...

Qual é a desculpa agora? 
Cai a lágrima. Não a limpo porque estou sozinha. 
O A. convidou-me para jantar e só de pensar no jantar...em mim, a fazer aquela refeição, como se prezasse mais a minha relação do que a minha perturbação, é uma traição imensa que não quero protagonizar. Odeio-o, secretamente, por isso. 

Face a essa angústia. dou por mim com a mão nos biscoitos, no pão, no humus, na sopa, no que ainda há no frigorífico e que «posso» comer sem se dar por isso....outra vez. A promessa não durou uma hora. Doem-me os dentes, a boca, a cabeça, tudo. 

Tenho um trabalho para fazer, um jantar e um quiz depois do jantar. Hoje detesto-os, detesto o que conquistei, o que me aconteceu, o que faço, quem sou, o ar que respiro. 

Amanhã já passou.