Não sei se preciso de escrever, mas faz-me falta. Por isso regresso.
Objectivamente,
Apesar de ter demorado 7 (!!!) anos a fazer a licenciatura e a ter concluído com uma média sofrível, consegui um estágio remunerado numa sociedade grande, no departamento da minha área de especialização, onde colegas com muito melhores qualificações (e conhecimentos) não entraram;
Fui expulsa de casa dos pais mas acolhida sem qualquer pergunta pela minha avó que me tem um amor enorme;
Os meus amigos, de quem me afastei durante anos, nunca me abandoram e convidam-me para eventos importantes das suas vidas: bapitzados, festas de anos, defesas de dissertação;
Tenho uma boa média de mestrado;
Estou tratada da depressão (que às vezes ainda penso que não tive...);
Sinto-me querida por todas as pessoas que continuam na minha vida;
Melhorei exponencialmente do distúrbio alimentar (só não digo que estou curada...porque ainda não estou);
MAS...
sexta-feira, 28 de junho de 2019
domingo, 16 de junho de 2019
sábado, 15 de junho de 2019
A dor conhecida que se centra no peito.
Não a usei (espero) para fugir da minha.
Enquanto segurava no garrafão, disse-me que já não tinha idade para «isto»... Soube, instantaneamente, a que se referia. Abstive-me de comentar de que nenhuma idade merece aquela dor...
No rosto sofrido, lágrimas por chorar.
Abriu o porta-bagagens, ajeitou o saco cheio e não aguentou mais, como nas tantas vezes em que antes de por a chave à porta, eu não aguentei...
Coloquei-lhe a mão sobre as costas, depois no cabelo, lembrando-me de como os velhos gostam de ser tocados - como a minha mãe me ensinou - tal é a falta de afecto recebido a partir de certa idade...(medo de os partir, do cheiro, da distância)?
Agarrei-lhe a mão, como se não fosse estranha, como a minha avó fazia quando eu era pequenina.
Deixei-a cheia de dor.
Deixamo-nos conter tanta solidão...
Não a usei (espero) para fugir da minha.
Enquanto segurava no garrafão, disse-me que já não tinha idade para «isto»... Soube, instantaneamente, a que se referia. Abstive-me de comentar de que nenhuma idade merece aquela dor...
No rosto sofrido, lágrimas por chorar.
Abriu o porta-bagagens, ajeitou o saco cheio e não aguentou mais, como nas tantas vezes em que antes de por a chave à porta, eu não aguentei...
Coloquei-lhe a mão sobre as costas, depois no cabelo, lembrando-me de como os velhos gostam de ser tocados - como a minha mãe me ensinou - tal é a falta de afecto recebido a partir de certa idade...(medo de os partir, do cheiro, da distância)?
Agarrei-lhe a mão, como se não fosse estranha, como a minha avó fazia quando eu era pequenina.
Deixei-a cheia de dor.
Deixamo-nos conter tanta solidão...
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Os passarinhos cairam
«Tenho saudades de ter uma compulsão»...Engoli em seco.
Há 10 anos, por esta altura, íamos de viagem... Rezámos antes de partir.
Ela de socas, calções curtos, tez morena, bonita, como só a ela... Eu, envergonhada, de jeans e t-shirt branca, a sentir-me obesa, a dobra da barriga sobre as calças... Na assento traseiro do carro, falávamos baixinho sobre o nosso peso e a nossa dieta.
Nessa noite jantámos tomate cherry e cenoura ralada.
Durante essa semana, a minha primeira semana de trabalho, fizemos € 80. Gastei-os em comida.
2009, 2019.
Há 10 anos, por esta altura, íamos de viagem... Rezámos antes de partir.
Ela de socas, calções curtos, tez morena, bonita, como só a ela... Eu, envergonhada, de jeans e t-shirt branca, a sentir-me obesa, a dobra da barriga sobre as calças... Na assento traseiro do carro, falávamos baixinho sobre o nosso peso e a nossa dieta.
Nessa noite jantámos tomate cherry e cenoura ralada.
Durante essa semana, a minha primeira semana de trabalho, fizemos € 80. Gastei-os em comida.
2009, 2019.
domingo, 2 de junho de 2019
As meninas morreram
Éramos seis de bibes azuis escuros, algumas desabotoavam-nos para mostrar a roupa nova...
A instrução simples: abraçem-se e riam.
Eu olhei para onde não havia máquina (nunca gostei de ser fotografada), as outras cumpriram.
Quinze anos depois, duas são médicas; uma, assistente social; outra, engenheira, duas enlouqueceram e pouco fizeram das suas vidas e eu nem perdi todo o juízo, nem sou, ainda, advogada...
Nada naqueles rostos fazia prever o actual desfecho... A mais maria-rapaz arranjou um namorado pintor; a mais tímida casou no Verão passado, a mais dotada não sabe distinguir a realidade da fantasia...
Não sei o que representem estas lágrimas que teimam a escorrer, nem para que servem nem porque não param.
A instrução simples: abraçem-se e riam.
Eu olhei para onde não havia máquina (nunca gostei de ser fotografada), as outras cumpriram.
Quinze anos depois, duas são médicas; uma, assistente social; outra, engenheira, duas enlouqueceram e pouco fizeram das suas vidas e eu nem perdi todo o juízo, nem sou, ainda, advogada...
Nada naqueles rostos fazia prever o actual desfecho... A mais maria-rapaz arranjou um namorado pintor; a mais tímida casou no Verão passado, a mais dotada não sabe distinguir a realidade da fantasia...
Não sei o que representem estas lágrimas que teimam a escorrer, nem para que servem nem porque não param.
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