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sexta-feira, 31 de maio de 2019

dor

Não gosto de ir àquela casa, nem de andar naquelas ruas nem de comprar o pão naquele sítio. Tudo me faz lemrar, as paredes, o cheiro, a gente.

Fiz-me muito infeliz lá.

Não aguentei muito tempo (já tinha passado antes no supermercado). Um pao com manteiga, um pacote de batatas fritas, dois pacotes de chocolates. E continuava, se mais houvesse e mais tempo eu tivesse antes de deixar de estar sozinha por fora...

As meninas morreram, os passarinhos caíram...


quinta-feira, 30 de maio de 2019

tudo o que procuraste fora de Mim só te deixou mais vazio

Fui à janela e quis o quarto andar fosse alto o suficiente, para só ter de passar as pernas para o lado de lá. Faria barulho a carcaça a embater contra o capô do mercedes do engenheiro do segundo andar e que não tem culpa nenhuma, mas carros suficientes para não lhe fazer prejuízo... 

Olhei em frente. Não se via.

Arrepio-me de frio com 30º lá fora, mas não quero sair. Sairei, no entanto, antes das 21h, hora de encerramento dos supermercados, porque continua a ser essa, infelimente, a minha vida...

A vida que tenho é a vida que aprendi a querer, para ser suportável, mas de vez em quando, cheira-me a outras vidas e conheço um pouco do que outros têm e quero mais...um pouco mais... 

Depois, percebendo que não é para mim, não é a minha casa, volto atrás, «para onde nunca devia ter sáido», diz-me... O outro terá sempre de distância e mistério e a vida, lá fora, sabor a ar fresco... Encho o peito desse ar que parece bom, nunca por muito tempo nem produndamente. 

A possibilidade mata-me a cada negação... Tanto temi que foi acontecendo...