Fui à janela e quis o quarto andar fosse alto o suficiente, para só ter de passar as pernas para o lado de lá. Faria barulho a carcaça a embater contra o capô do mercedes do engenheiro do segundo andar e que não tem culpa nenhuma, mas carros suficientes para não lhe fazer prejuízo...
Olhei em frente. Não se via.
Arrepio-me de frio com 30º lá fora, mas não quero sair. Sairei, no entanto, antes das 21h, hora de encerramento dos supermercados, porque continua a ser essa, infelimente, a minha vida...
A vida que tenho é a vida que aprendi a querer, para ser suportável, mas de vez em quando, cheira-me a outras vidas e conheço um pouco do que outros têm e quero mais...um pouco mais...
Depois, percebendo que não é para mim, não é a minha casa, volto atrás, «para onde nunca devia ter sáido», diz-me... O outro terá sempre de distância e mistério e a vida, lá fora, sabor a ar fresco... Encho o peito desse ar que parece bom, nunca por muito tempo nem produndamente.
A possibilidade mata-me a cada negação... Tanto temi que foi acontecendo...