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segunda-feira, 16 de março de 2020

um cântico final

Precisava tanto de escrever, necessidade que desapareceu à medida que deixei de me sentir tão absorvida pelo próprio sofrimento. Não que ele tenha desaparecido; tomou outra forma, é leve, conformei-me. Já não tenho uma doença, nem uma doença mascarada de vida; tenho uma vida - diferente - mas minha.

Ainda minto, ainda poupo quando restrinjo e esbanjo quando me descontrolo. Sem meio termo, com mentiras que, provavelmente, serão minhas ainda durante mais tempo, dou passos em frente que já não temo constantemente.

Palavras iguais, sentimentos iguais, vivências - internas - iguais. Sou assim. 
Acordo, vou para o trabalho em jejum. Lá para as duas como um bocado de chocolate. Regresso, no caminho vou aos supermercados, chego a casa e tenho o momento "alto" do dia - como tudo, descomo nem metade, não aumento (muito) de peso.

É isto a doença? Se é, então tenho-a. Se tê-la é sofrer por isso, então curei-me.