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segunda-feira, 29 de abril de 2019

IV

Havia uma mesa com cadeiras de estofo preto em redor. Nada por cima e ninguém sentado além de mim. Peguei na caneta e sobre o bloco emprestado escrevi acerca de um telefone que tocava insistentemente. 

Como se imagina naqueles metros quadrados que cheiram a desinfectante e à batata da sopa do almoço, que as obrigam a engolir, sem piedade, até ao fim? Cura-castigo, vida...

E se elas fossem pássaros?
Avezinhas feridas atrás desta gaiola aos quadradinhos cor-de-laranja e branco, onde apoio os cotovelos. Quadrados certos como os dos bibes que vestiram e mancharam...de vida...
As meninas morreram, os passarinhos cairam. 

Lá dentro corre uma arajem que faz bater as portas. E o telefone toca e ninguém parece importar-se. Está-se, mas não se espera... 

Assisto porque posso sair. 

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