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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

companhia de todas as horas

Temo que o que esta obsessão fez em mim tenha sido definitivo.
Deixei de saber estar; onde quer que vá vai comigo a urgência de voltar para casa.
Os outros tornaram-se tanto obstáculos ao isolamento que tanto anseio, ora para poder comer e ir para os supermercados ora para me exercitar como meios para evitar refeições...

Fui com a minha família ao cinema, ao fim de meia hora só queria chegar a casa para comer...Se tivesse sido há dois meses, nem sequer teria ido para fazer mais exercício as escondidas e não ter de comer fora...

Até quando estou presente, não estou.
Companhia de todas as horas, e friso que quem disse "mais vale só que mal acompanhado" nunca se sentiu verdadeiramente só, um dia sofri por ela (quando os pais me acusaram de não ter problema, por ser capaz de o admitir, eu ainda queria libertar-me...achava mesmo que era possível, que seria dificil, mas que poderia ajudar-me...), actualmente atravesso um misto de resignação e dor pela resignação...

Deixei de ir aos treinos, nem pensar que vou vestir um equipamento enquanto tiver este peso por isso jogos estão excluidos,voltar ao ginásio depois de lá ter saído "magra"(as senhoras diziam que tinham inveja de ser "novas e enchutas" como "a menina") é uma tortura...

Continuo por isso a em no covil, a tentar estudar sem sucesso, a tentar manter a fachada...
Só tenho vergonha de ter feito isto aos meus pais...



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