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terça-feira, 12 de junho de 2018

ambiguidade

Ontem arranquei a "compensação" a ferros. Tinha fome, maior que o habitual, insistente, carente, chata. Tinha uma fome que implorava para não ser ignorada, o que me irritou ainda mais e me fez resistir, ainda mais, a honrá-la...

Se havia dia para comer, teria sido ontem.
Mas ontem passou e eu não comi mais do que era permitido...
E hoje a fome é normal, daquela com que é possível conviver; é uma fome resignada, diz olá, não espera resposta. Como criança que sabe que não será consolada, não faz birras, não chora e não pede mais do que espera ter...

Lá andei, não tanto quanto queria, mas muito mais do que esperei que conseguisse...
Ontem esta vida que escolhi foi particularmente dura: não me apetecia fazer o exame em jejum, não me apetecia andar km e km com a mochila pesadissima, o calor, a fome, tudo aquilo que sabia que não era para acabar ali, mas para continuar "para sempre"...

Custava-me o cansaço, tudo me doía. E permiti-me sentar... E quando me sentei, chorei as lágrimas que a fluoxetina deixa (poucas). E não passou...

Mas hoje acordei com medo de ter engordado, "vou comer um pão com fiambre, são 45g, calma", mais segura e menos contrariada. Talvez se tivesse enfrentado ontem todos aqueles pensamentos, talvez tivesse sido o dia... quem quero enganar? Não há O dia, há escolhas, atrás de escolhas, come aqui, tira dali...

Tenho a certeza de que se perder 5kg me vou sentir muito melhor, tenho a certeza de que se perder 5kg vai ser exactamente a mesma coisa.
Nunca suficientemente cansada para desistir desta guerra, nunca suficientemente céptica para desistir de ficar bem.




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